01/07 – 11:51 h, nunca liguei para aniversários, os meus é bom salientar. Mas nos dias de hoje se não formos politicamente corretos, no mínimo um ligeiro mal estar nos acomete. Sites de relacionamentos avisam-nos que os amigos e os agregados estão envelhecendo. Isto é uma temeridade, porque se você não os felicita, não há desculpas para dizer que os esqueceu.
A vantagem, no meu caso, é não ser popular, isto diminui consideravelmente os meus pecados, ainda mais que só entro no perfil quando recebo algum aviso por e-mail, de que alguém passou pelo meu e deixou alguma manifestação qualquer. Quando isto acontece, vou até o site retribuir a “lembrança”, e o faço diretamente no campo das respostas, sem ter que fazer uma visita ao perfil do amigo. Sorry for the honesty!
Se por um lado é bom ter um perfil num site de relacionamentos, há também os seus inconvenientes. Já explico: como eu só entro no site quando recebo avisos e como os avisos vem muito esporadicamente, não raro acontece de saber que um amigo fez aniversário e sequer “lembrei-me” dele. Péssimo isto! Fica parecendo que não dei a devida importância ao fato, afinal a data do próximo aniversariante já consta, no perfil, dias antes que o evento aconteça.
Algumas pessoas ficam aborrecidas quando não lhes lembramos, para aqueles que adoram estas gentilezas, um alento; nos últimos anos, os mecanismos embutidos nos sites em que você presta informações pessoais (cadastros), e que enviam ofertas quase diariamente por e-mail, ao menos “lembram” seu/nosso aniversário. Então para os que dão importância a isto, quanto mais cadastros, tanto melhor. Já recebi alguma coisa hoje, mais do que os votos dos raros amigos, ou seja, sou popular para lojas de departamentos, com a vantagem ainda de me dispensarem da réplica.
Agora está explicado o porquê da minha displicência. Cabe aqui um pedido de desculpas aquelas pessoas que eventualmente não felicito. Desculpem-me.
Bem, logo nas primeiras horas desta madrugada, recebi e-mail de uma amiga muito distante, com sinceros votos de felicitações. Ela não precisaria, é uma amiga virtual, e nos últimos tempos temos falado muito esporadicamente, no entanto, parou seja lá o que estava fazendo e se dispôs a escrever-me. Fiquei lisonjeado e envergonhado ao mesmo tempo.
Como eu, ela também tem seus problemas, mas arrumou um tempo para felicitar-me, e o fez particularmente, quando poderia ter me deixado uma ligeira mensagem como faz a maioria das pessoas (no meu caso a minoria), em recados no Orkut, face book e outros tantos sites para o mesmo fim. Envergonhei-me por não ter mais tempo para nossas já eventuais conversas – agora mais do que raras – e ela, ainda assim, se deu ao trabalho de escrever-me.
Aqui eu reparo o meu descuido e agradeço-a publicamente; obrigado Letícia e desculpe-me pela ausência. Aproveitando o mea culpa, quero desculpar-me com aqueles que eventualmente me escrevem, vou procurar ser um velho melhor ou menos preguiçoso.
Bem, reparados (?) os danos, me dou conta de que meio século passou-se. Sim, sou um velho nascido no século passado. Nós velhos de hoje, somos um pouco diferentes dos velhos de antanho. Um velho com a mesma minha idade – décadas passadas – costumava ser mais acabado, aparentemente falando. Descobri que a cabeça não muda muito, ainda sou o mesmo. O corpo sim padece e dá sinais de esgotamento, a muito mais tempo do que a presente data. Máquinas com tempo de vida útil, agora entrando no provável último quarto de existência.
Não há como retardar ainda, o fim que se aproxima, mas li em algum lugar que isto já tem os dias contados, não sei se será bom, mas tampouco estarei aqui para ver isto acontecer. Pensei em elucubrar sobre isto, mas tenho coisas a serem concluídas e preciso retomar o que deixei, então, mais uma vez, pedirei desculpas a minha amiga e vou utilizar a resposta que enviei a ela, em retribuição a sua lembrança, e colocar aqui para encerrar este texto.
Antes, porém, quero pedir desculpas aqueles a quem não enviei votos por alguma data comemorativa, não porque não quisesse, mas por absoluta falta de freqüência em meu perfil, que me impede de “lembrar” que estou em falta com meus amigos.
“Meio século se passou……. nunca imaginei chegar tão longe, e falo sério. Ontem eu era uma criança…… agora, bastaria que fechasse os olhos para lembrar-me que a vida era tão cheia de promessas e sonhos. A maioria deles nunca se realizou. Fantasias, coisas além da imaginação. O que é concreto, o que é tátil, são estes elos que vamos unindo nas pessoas que conhecemos, nestes anos que de repreensivo, só há uma coisa, a impossibilidade de fazer o tempo voltar atrás. Felizmente somos dotados da capacidade de reconhecer nossos erros. Se não podemos consertá-los, cabe pedirmos desculpas pelas nossas falhas, pelos nossos tropeços.
O bom da vida é poder nos cercar de seres humanos, como nós.”
Bom, e para aqueles que acham que o velho é ultrapassado, pasmem, eles são mais velhos do que eu, no entanto mandavam muito bem. Andei assistindo algumas versões no youtube, separei a original para que escutem, gravada em estúdio, e também uma ao vivo, procurem a versão que mais lhes de prazer, têm várias interpretes para a mesma música. Enjoy!
Somos dois… eu nunca felicito ninguém pelo aniversário, mesmo quando vou ao meu perfil e noto a data. Me sinto envergonhada de dar os parabéns apenas por obrigação, ou sei lá, convenção. E também não respondo quando me felicitam, a não ser quando isso feito de forma pessoal, como fez a tua amiga. Enfim, acho que somos pessoas de poucas “convenções”, não é mesmo?
Você ainda tem como reverter, eu estou velho demais para isto. Grato pelo seu tempo.
O que eu tinha falado a respeito dessa palavra, “velho”? Mas que teimosia! Por acaso eu tenho a mesma opinião que tu porque sou jovem? Ou seja, jovens devem mudar suas opiniões com o tempo porque elas estão todas erradas? Não. E eu não mudarei, pelo menos em relação a aniversários. Estou de mal.
Sabe, uma coisa eu aprendi neste tempo todo. Verdades são o que queremos para nós, nem sempre elas representam o que de fato são. Mudei muito nestes anos todos, revi conceitos, e sou aberto ao novo. Metamorfoses da vida. Você vai passar por isto também, anote no caderninho. E mude o humor, a vida já não é muito fácil qdo não sorrimos.