Interview with Letícia Alves, before the fame

24/08 – 02:05 h, como não há regras aqui, e o espaço é meu (sim senhor, é meu), resolvi de comum acordo com myself, enveredar por caminhos nunca dantes permeados.

Assim sendo, em meio a tantas atrocidades já cometidas por este escriba, era justo trazer-lhes algo que tivesse melhor proveito e que de quebra também, abrilhantasse este humilde e singelo ciberespaço (ah, o preço do ibope….), convidei então (intimei essa é a verdade), minha amiga virtual, Letícia Alves (clica aqui que você vai à fonte) do blog Tempestade para contar-lhes a sua trajetória.

Ela é uma legítima mineira, no entanto, prefere dizer-se sem fronteiras. Hoje em vias de sair do mais completo e absoluto ostracismo (isso vale o autógrafo não é Letícia?), ou como diriam alguns, sair do anonimato, e vendo a oportunidade de ascensão neste prosaico espaço, concordou no que será então a sua primeira entrevista.

Sem mais delongas, com vocês, em primeiríssima mão, ela, a própria Tempestade.

- Oi Letícia, em primeiro lugar, quero em meu nome e em nome dos meus cinco leitores, parabenizá-la pelo lançamento do seu livro. É meritório. Tudo bem com você (essa é a pergunta básica que todo internauta faz)?

- Luciano, obrigada pela oportunidade de falar um pouquinho sobre essa experiência e estou bem sim.

- O que motivou a publicação de um livro, você que até então sempre dispôs as coisas que escrevia na internet (não gente, completamente sem noção, mas ok, vamos em frente, isto também é novidade pra mim, remember this?)?

- Um convite de uma amiga virtual que se chama Lunna do blog Menina no Sótão – e então decidi participar dessa experiência, que culminou em escritos que estavam no blog e outros que não.

- Você acredita que este é o caminho de todos aqueles que escrevem textos de cunho pessoal como os seus?

- Esse projeto em forma de diário pode ser uma alternativa para quem quer escrever a palavra impressa no papel. Mas com certeza tem outros caminhos.

- Como surgiu esta parceria, há algo incomum entre os teus textos e o de suas colegas (aí colegas da Letícia, esse é o famoso plus a mais)?

- Através do contato com a Lunna durante todo esse tempo que fiquei mais próxima das publicações no meu blog, e fui conhecendo várias pessoas.

- Há quanto tempo você escreve e o que a motivou?

- Escrevo desde muito jovem, sou da época da troca de correspondências pelo correio convencional. Ler e escrever pra mim faz parte do cotidiano, algo que está comigo sempre. Minha motivação é apenas de tentar transcrever em palavras os sentimentos humanos.

- Qual a sua expectativa em relação à palavra impressa, você acredita que pode também atingir algum outro tipo de leitor?

- Talvez sim, mas como é um livro artesanal de tiragem menor, não há um grande impacto, mas pessoas interessadas em arte sim.

- O que você está achando desta experiência, acredita que sua exposição será maior?

- Há um mar de blogs e o pessoal compete por audiência, o que não faço. Por isso acredito que não haverá tamanha exposição.

- Você não se intimida ao perder o anonimato tão comum na blogosfera?

- Não, até por que quando comecei a assinar como Letícia, em alguns blogs que eu participei e precisava de foto, eu enviei, de alguma maneira alguns já me conhecem.

- Seus leitores de blog, o que pensam sobre o lançamento de seus textos agora no papel, você já tem esse feedback?

- Algumas pessoas deixaram comentários e ficaram curiosos e surpresos a cerca do modo de feitura de livro até a sua divulgação.

- De onde vem a sua inspiração?

- Na verdade vem mesmo de outras leituras e do dia-a-dia mesmo.

- Você acha que há uma fórmula para leitores cativos, é necessário troca?

- Para ler é preciso gostar, não adianta ter fórmulas ou forçar alguém a fazer algo que não gosta. Tanto é que não sou a favor do uso da expressão “hábito de leitura” e sim “gosto pela leitura”. Mas a troca entre leitores é sempre importante.

- Como é esse processo de sintetizar em palavras, dores e alegrias e como as pessoas (leitores) se identificam com o que você escreve?

- Muitas vezes nem é a síntese, na verdade pode ir além da síntese e também não corresponder aos sentimentos, pois sempre será difícil transpor o real para o imaginário, e o cotidiano para o papel.

- Você pode nos contar em poucas palavras a sua trajetória e o qual a sua pretensão a respeito do livro?

- Sou bibliotecária há sete anos, escrevo pelos menos desde os 18 anos e penso que a leitura e a escrita são libertadoras e ensinam muito. Pretendo conhecer mais pessoas interessadas em escrita e que gostem de ler pequenos pensamentos de alguém que acredita que a educação é a base para a construção de uma identidade melhor.

- Para finalizar, se você não fosse um pingüim, o que você seria? Já que o espaço também é seu, quer dizer algo aos meus cinco ávidos leitores?

Como não sou um Pinguim, não sei o que seria. Mas como diz o Rubem Alves no livro Se eu pudesse viver minha vida novamente… viveria e seria como sou, talvez uma pequena mudança em algum momento da vida que a gente acha que não fez a coisa certa, mas como somos humanos iremos sempre errar e acertar, essa é a magia da vida.

Obrigada ao Luciano e a todos que lerem!

Bem pessoal, esta é (foi?) a minha amiga (virtual, mas não menos amiga) Letícia Alves, que tem o lançamento do seu livro confirmado para o próximo sábado dia 27 de agosto as 16:00 h, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, que fica na rua Henrique Schaumann, 777, Pinheiros, São Paulo.

Convido aqueles que moram por estas paragens que a prestigiem, se eu pudesse certamente compareceria. Desejo-lhe, sinceramente, merda pra você.

Antes tarde que mais tarde…

16/03 – 18:56 h. Falava, ontem, com uma amiga (desculpa, mas estava sem assunto, na realidade quis aprofundar um pouco para você pensar), sobre relacionamentos familiares. Ao contrário de gerações mais novas, que tem facilidade de demonstrar seu afeto, a nossa esbarra em uma educação diferente, no qual a palavra amor é difícil de ser dita. Dita e demonstrada. Ela mora com sua mãe e eu trabalho com a minha. Perguntou-me como estávamos e lhe disse que nossos problemas geralmente são sobre trabalho. É natural que existam divergências, afinal temos experiências distintas e erro tanto quanto ela. O que importa é reconhecer e corrigir o que pode sê-lo, sem perder o respeito, sem sentir-se diminuído ou mesmo querer impor pontos de vista.

Tenho amadurecido, tenho aprendido muito nestes últimos anos. Aprendo com meus filhos, aprendo com meus raros amigos. Aprendo sempre e certamente morrerei sem saber o que mais poderia. Paciência, a vida é curta.

Algo antes impensável seria dizer a minha mãe que a amava.

O fiz depois de muitos anos, quanto tive maturidade para compreender o que uma simples palavra, porém, com uma carga emocional inversamente proporcional ao seu tamanho, significa. E não doeu. Foi espontâneo e veio num momento adequado. Ano passado ela perdeu a sua mãe. Por problemas familiares com seus irmãos, não pode dizer a sua mãe que lhe amava. Sei o quanto isto hoje lhe faz mal e mesmo não tendo culpa pela economia sentimental a que foi relegada terá que conviver com isto até seus últimos dias.

Quanto a minha amiga espero que ela o faça ainda em tempo hábil. Efêmeros que somos, quando menos se espera, aquele ser que nos acompanhou a vida toda se vai. Ou nós vamos primeiro. O vazio ficará ainda maior por conta desta pequena palavra de quatro letras. O pensar que poderíamos tê-lo feito não significará nada, quando for tarde demais. Terá significância sim, para aquela pessoa que talvez tenha esperado o reconhecimento na palavra amor. Reprimir por costume é muito pior do que ficar constrangido ao dizê-lo. Todos, sem exceção, querem ouvir “eu amo você”. Mãe, eu te amo. Muito. Espero poder dizer-te mais vezes isto.