A justiça Federal em Minas, por solicitação da Procuradoria da República (alto nível), proibiu a exibição nos cinemas brasileiros o filme de ficção A Serbian Film – Terror sem Limites. Este filme já estava proibido no RJ, por solicitação do partido DEM, mas tinha estréia programada para o dia 26 no restante do país.
Pasmem, sacramentaram a censura.
Não vou discutir o filme em si, este não é o mérito. O que me parece absolutamente fora de propósito (e realmente é um absurdo) é determinarem o que podemos ou não ver.
Eu, se me fosse dada a prerrogativa de censurar, por certo não o faria com um filme.
Vejamos; censuraria algumas coisas que me incomodam de fato, que acredito realmente causarem repulsa, indignação, mal estar, ou qualquer outro sentimento que me remeta a desconforto.
Censuraria ver, por exemplo: o descaso do estado com os seus contribuintes (mas que não diminui a sede voraz com que nos tributa e nos justiça quando somos devedores); a criminalidade que assola este país e parece ganhar cada vez mais terreno, colocando-nos reféns em nossos lares; a miséria que ainda relega milhares a condições subumanas; a ignorância tão necessária para manter a corrupção ativa no poder; a assistência social (ou a falta dela) que opera no limite do improvável e muitas vezes não consegue agendar atendimento em tempo hábil para salvar vidas; o ufanismo imbecil e o bairrismo escatológico que não levam a nada; a homofobia ou qualquer tipo de segregação típica de pessoas desprovidas de qualquer senso moral; a violência contra as mulheres, ainda tolerada pela nossa sociedade, com a impunidade ao agressor e conivência de quem mora ao seu lado; a justiça (essa mesma que agora proíbe filmes, mas que comete muito mais erros crassos (ou menos acertos)), que faz vistas grossas e têm, em cabeças retrógradas, interpretações dúbio-equivocadas sobre e/ou a respeito de uma mesma lei (aqui um clichê famoso; um peso, duas medidas – sim, esse é o termo correto, ou pelo menos o utilizado por Sócrates); as leis que nem sempre pendem para os inocentes e fracos (os poderosos agradecem); a falta de educação ou a educação que privilegia a lei de Gérson; o ensino deficiente que põem nas ruas todo ano milhares de formandos incapazes, mas diplomados, que por sua vez formarão outros milhares ainda mais ignorantes; a tolerância, a malemolência desse povo que prefere criticar o alheio e não se importa com o escárnio, com a falta de caráter, com o pudor em querer levar vantagem sempre, antes de qualquer um.
Censuraria a politicagem que arbitra a seu próprio favor e relega o povo ao assistencialismo, garantindo assim a permanência no poder (dar para receber, mas dão bem pouco, muito pouco).
Estes senhores, que ao invés de fazer aquilo para o qual foram eleitos, se apressam em aumentar os seus vencimentos, e processam todos aqueles que são contrários aos seus desmandos (subtração do erário ficaria melhor) – vide Tonho Crocco.
Censuraria a falta de vergonha do nosso povo sem brio, que permite todas estas ignomínias e não é capaz de levantar-se para fazer oposição e cobrar o seu direito respaldado em constituição, mas que canta com ardor e mão no peito que é brasileiro e tem muito orgulho.
Infelizmente eu apenas posso apontar. E você, o que pode fazer?

