27/03 – 23:50 h. – Preferiria escrever sobre algo que domino. Isto certamente evitaria que me aborrecesse e jogasse o teclado contra parede. E, estava, prestes a fazê-lo (nada como um drama), quando me dei conta que seria interessante arriscar.
Críticas são sempre bem vindas, mas tendem a crueldade quando, ao colocarmos nossos pontos de vista, esbarramos na falta de conhecimento. E justamente isto é que me impedia de tocar em assuntos que dependiam de análise criteriosa, profunda, e não superficial, como a que tenho.
Ocorre que ao não fazê-lo, entro diretamente para o grupo daqueles que pecam por falta e omissão.
Somos uma “ilha” – disse alguém certa feita – e, duvido que alguém a isto conteste. Acreditamos que ao isolar-nos dos problemas, ficamos abstraídos às coisas que acontecem, que nos incomodam tanto, que nos fazem pensar no alheio. Sim, acontecem e, querendo ou não, sofremos. Melhor falar na primeira pessoa, sofro. Toda sorte de mazelas e desgraças espoca em nossa volta. Lamentavelmente nada fazemos. É tão mais fácil engolir a seco. Olhar para o lado é melhor que negar. Como se nada nos atingisse, e porque se incomodar? Afinal estamos aonde chegamos por mérito próprio, ninguém nos deu(?), e depois, já chega todos os problemas que vivemos. Problemas? Contas em atraso, filas intermináveis, filhos incompreendidos, mau humor, discussões banais, trabalho cansativo, amores mal resolvidos, etc. Sim, porque se incomodar e por quê trazer ao nosso mundo os problemas dos outros. Logo nos vem aquele pensamento confortável, aquele que nos indica que mesmo que ofertamos um prato de comida, nada acontecerá para mudar o destino de quem atendemos de imediato. Será? Basta um gesto de carinho, um saciar de sede, um matar de fome. Naquele momento, tenha certeza de que você fez a sua parte. A paga pode ser pouca, se é que você espera por algo assim. Mas se o reconhecimento vier num sorriso, terá valido a pena, quem sabe o seu gesto não mude um destino paralelo. Navegar é preciso.
Bem, imagino que alguém agora esteja pensando, é tão simples assim? Um gesto apenas irá acabar com o meu incômodo? Responder a isto certamente faria pensar que alguém que leia isto, é dado a poucas reminiscências, ou você ainda não se deu conta do lugar em que vive? Todos sabem que não, todos sabem o que é preciso mudar, para que questões como estas não nos incomodem mais. No entanto continuamos a manter esta pirâmide. Somos a base que elege os incompetentes, e pior do que isto, reelege. Sofremos da perda de memória seletiva. Ou alguém lembra em quem votou na eleição passada? Se quiser que algo aconteça, que alguém faça diferente, que a minha consciência não doa, nem incomode, vou começar valorizando aquele que indico para me representar politicamente. Alguém que pense como eu. Ou talvez como você. Desde sempre ouço dizer que somos o país do futuro. Pois bem, quero o meu futuro agora. E é com este pensamento que irei votar nas próximas eleições. E é assim que imagino que mudarei alguma coisa, que me fará ser mais do que uma ilha.
24/03 – 23:07 h. Idéias para um texto. O primeiro movimento, o pontapé inicial, a arrancada, não são sinônimos, no entanto indicam um começo. No meu caso, um começo trôpego. Diários decididamente são tão mais fáceis, mas meu dia-dia é tão interessante quanto uma bula em chinês. Sorte ou azar, minhas atenções recaem para situações, coisas ou pessoas que conheço. Isto evita escrever sobre o que não domino. Paradoxalmente, isto me permite ousar, sobretudo quando escrevo sobre relacionamentos ou aquilo que os envolve. E é essa a idéia que me toma de supetão.
Anônimas, apesar de dividirem o mesmo espaço em minha tela, três pessoas, tem algo em comum. Duas são amigas – minhas – e a terceira gostaria que fosse, talvez um dia. Suas vidas particulares não dizem respeito a ninguém, além delas mesmo e daqueles que as cercam. Todas, sem exceções, tem problemas, dos mais diversos, assim como eu e….. bem, alguém que por ventura leia isto.
Mas o que elas tem em comum além da síntese da palavra problema? Para responder a esta questão é necessário saber o que elas fazem. Uma é professora, outra é enfermeira e a última veterinária.
Em suas profissões está a resposta, mas queria discorrer um pouco mais sobre este assunto. A palavra que as une, inicialmente, é abnegação. Imagino que nem percebem de fato, como e quanto são dedicadas e desprendidas. Alheias aos problemas que lhe são inerentes, ao assumirem o seu lado profissional irradiam paixão pelo que fazem, o que torna, de imediato, a vida de quem lhes cruza o caminho, uma dádiva, pois é nesta entrega, nem sempre recíproca, que disseminam seu carinho e afeto, tão necessário a todos e que às vezes lhes falta. Dão tanto de si e nem sempre tem quem as acolha, quem lhes supra e recomponha tudo o que necessitam para poder continuar. São altruístas e abençoadas. Pessoas como elas é que fazem a diferença neste mundo insidioso. Aliás deveríamos ter mais pessoas assim. Aí então seríamos “seres humanos”. Gostaria que soubessem, quanto me sinto honrado por conhecê-las e o quanto sou grato por existirem. Dedico este texto a todas aquelas pessoas que de uma forma ou de outra fazem a diferença.
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