Das discrepâncias…

17/07 – 19:44 h, o jornal Zero Hora (a referência não é gratuita, caso alguém queira detalhes poderá conferir a matéria, ou se achar melhor, procure na internet) do domingo (10/07), trás em suas páginas 18 e 19 a história de uma mulher condenada à morte no Paquistão por blasfêmia.

Confesso que não tinha me dado conta do caso, há tanta informação e não dou vencimento de manter-me atualizado; a despeito do acontecimento ter iniciado em 2009. Um dos motivos que contribuiu para isso, é que se trata de notícia de um país distante, embora hoje em dia, não se pode usar isto como desculpa. Por outro lado não está no alvo diário da mídia, ou eu que ando muito afastado dos jornais e nem me dei conta do que acontecia com esta criatura. Em contrapartida sei do caso da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada ao apedrejamento no Irã, quase que no mesmo período, e que teve a intervenção do ex-presidente Lula, que não viu lograr o seu pedido de acolhimento de asilo político, pelo regime iraniano (não acho que ele foi enfático, enfim teve seu momento de glória). Eis que eventualmente alguém se lembra de publicar matéria a respeito, e foi este o fato que me fez escrever sobre este caso.

O processo contra Asia Bibi, mulher cristã, mãe de cinco filhos, iniciou-se em junho 2009 e aconteceu em virtude deste fato: ela (infelizmente) teve sede e bebeu água de um poço, com um copo de uso comum, enquanto trabalhava no campo, numa plantação onde fazia colheita de frutas. Um grupo de camponesas muçulmanas, no entanto, protestou, afirmando que uma mulher não-muçulmana não deveria beber da água reservada aos muçulmanos; sendo assim, ela teria profanado a água do poço, da qual elas também beberiam.

Asia discordou e, de acordo com as suas crenças cristãs, defendeu seus princípios que são contrários aos princípios muçulmanos, foi o que bastou para confiná-la em um cubículo insalubre. Mas antes disto foi perseguida e agredida por uma multidão, que depois a arrastou até a delegacia no vilarejo de Ittan Walai. Asia foi presa e indiciada sob a seção 295 C do Código Penal paquistanês, que inclui a pena de morte. Por pressão da multidão e do mullah (religioso muçulmano) ela foi confinada e, em oito de novembro de 2010, foi então condenada à morte. Atualmente Asia recorre de sua sentença, na “justiça”. Sua família, marido e filhos, vivem escondidos e também são ameaçados de morte. Mesmo que Asia consiga o benefício de revogarem sua pena, ela e sua família ainda estarão sujeitos ao assassinato por fanáticos muçulmanos. Em três de dezembro de 2010, outro mullah, do Paquistão, ofereceu mais de seis mil dólares para qualquer pessoa que possa assassinar Asia Bibi.

E o que faz o mundo diante de tal barbarismo? Pouco ou quase nada. Os que tentam de alguma forma ajudá-la diretamente, sofrem ameaças de grupos extremistas e duas figuras políticas já pagaram com a vida, como aconteceu com o governador de Punjab, Salman Taseer, e o ministro das Minorias, Shahbaz Bati.

O que causa indignação e estarrecimento é que nenhum governo é capaz de deter tal fanatismo. Uma criatura que não fez mal algum está condenada a morte e muito provavelmente será executada, mesmo que consiga comutação de sua pena; se não pelo sistema, certamente o será pelos “justiceiros” extremistas.

Já aqui, na terra brasilis, o ministério público se apressa em investigar o humorista Rafinha Bastos, que não tem escrúpulo algum fazer piadas sobre o que for necessário para extrair o riso frouxo da assistência. O interessante é que mais tarde, quando essa mesma assistência processa a informação recebida, em forma de piada (hã?), sente-se ofendida e procura então justiçá-lo. Isto sim causa indignação, mas toda esta celeuma dá ao autor do fato, mais popularidade e comiseração dos seus inúmeros seguidores, mas que jamais levantariam suas vozes para bradar a liberdade de duas mulheres que estão nas mãos de fanáticos radicais e que têm apenas alguns poucos aliados que se atrevem a defendê-las. No caso do humorista, bastaria apenas deixá-lo de lado, talvez um dia, com um pouco mais de maturidade (?) ele se dê conta da imbecilidade proferida a título de angariar risadas de seus admiradores. Acho que seria muito pouco provável.

Em contrapartida a nova lei 12.403, sancionada pela nossa presidente, faculta a todo preso em flagrante, que for réu primário, responder processo em liberdade, ou seja, atropeladores, assaltantes, estupradores, pedófilos, crackers, colarinhos brancos, etc, ganham a liberdade mediante fiança estipulada pela sua condição social.

Nobre gesto. Ao que parece, o fato de não cercear a liberdade de vagabundo algum, talvez os faça confrontarem-se com o seu “eu interior”, e o resultado desta luta desigual os tragam de volta para trilhar novamente o caminho do bem, na segurança e no conforto de seu lar.

O engenheiro que matou a advogada em São Paulo, ao dirigir seu porsche a 150 km/h, numa via de velocidade máxima de 60 km/h, vai poder ficar em casa, desfrutando do lar, do carinho de sua família, e do apoio dos seus amigos, porque é seu direito, o direito que é negado àquelas mulheres, por fanáticos religiosos. Aqui temos nossos Juristas, intocáveis como os políticos, que arbitram e interpretam a lei como se fossem nossos senhores. Ninguém lhes lembra que os salários que percebem, são arrecadados desta população que hoje é refém de suas benevolências, e que aqueles a quem beneficiam, nos põem em perigo e a nossas famílias também.

Assistimos pasmos e calados a todas estas ignomínias, mas felizmente existe algum humorista para que possamos vingar as nossas mazelas.

Quem disse que este mundo é justo? Vidas são abreviadas por extremistas, por defensores juristas, por políticos corruptos, mas quando acabarem os humoristas, o que faremos quando acabarem os humoristas?

Ele era um sujeito bacana (do meu tempo, perdoem), e fazia músicas lindas, se chamava Stephen Demetre Georgiou, mais conhecido como Cat Stevens, hoje se converteu ao islamismo, adotou o nome de Yusuf Islam e se dedica a religião…. estranho como ainda gosto dele. Talvez porque eu não tenha o ranço extremista ou quem sabe dou valor aquilo que é belo. Às vezes me sinto um otário. Enjoy!

Todo dia é dia

Denuncie a violência

08/03 – 00:02 h,, caso ainda desconheçam o motivo pelo qual essa data é comemorada, aqui também tem cultura.

Apesar da referência, há muito que se fazer, para que ela se torne, definitivamente, uma data comemorativa.

Comemorar nos remete à alegria, ao bem-estar, a coisas boas. Contudo, como comemorar uma data que, a despeito de seu nobre significado, não encerra a discrepância, e sim enseja o não entendimento.

Como fazer de conta, que os trezentos e sessenta e quatro dias restantes do ano inexistem e acreditar (abstrair, no caso, é rigorosamente necessário) que mesmo, nesse dia “comemorativo”, a violência contra a mulher não acontece, alguém consegue?

Bem, se esse for seu caso, lamento. A realidade informa que cinco mulheres APANHAM a cada dois minutos. Esse índice era de oito alguns anos atrás. A aplicação da Lei Maria da Penha fez com que esse número diminuísse, mas ainda está longe de ser satisfatório.

Esse é um problema social que exige políticas públicas factíveis; a lei não é suficiente e, como se isso só não fosse satisfatório, o STJ (Supremo Tribunal de Justiça) entendeu que a lei é compatível com a dos Juizados Especiais, ou seja, permite a suspensão da pena nos casos em que a condenação for inferior a um ano. Dessa forma, o juiz pode trocar a pena de prisão por pena alternativa, ou, ainda, suspender o processo. O famoso “um passinho pra frente, dois passinhos pra trás¹”.

Os números impressionam e essas estatísticas estão disponíveis em vários endereços eletrônicos para conhecimento público; aqui você poderá “ilustrar” uma referência.

A mulher é sujeita a todo tipo de violência, mas a doméstica é disparada a que faz mais vítimas: do espancamento (por motivos fúteis: bebida, ciúme etc…) à violência sexual, seja na forma como o sexo é praticado (?), ou através da contaminação por DSTs, a que seus maridos/companheiros amorosamente lhes transmitem. Essas são chamadas de violências invisíveis; ninguém vê; entretanto, acontecem e nunca são denunciadas.

Há que se mudar a visão turva da sociedade; da mulher que se omite com medo de represália, e, para tanto, a lei deve garantir-lhe efetivamente a segurança, bem como a dos senhores mentores do moral e dos bons costumes; a falta da lei e da ordem é também uma agressão e deve ser cobrada com veemência por toda sociedade, ou melhor, por todos aqueles que querem que isso seja uma sociedade.

Para encerrar e não deixar o travo amargo da realidade, lembre-se de que todo o dia é um dia para ser celebrado. A vida se comemora, e mulher é vida.

Mesmo que você não consiga externar carinho e afeto, pelo menos trate com respeito e valorize quem se doa todo dia; se não por você, pela sua família.

Denuncie todo aquele que atentar contra a mulher.

Fonte:
Referência.

( ¹ ) Nota do autor (me).: sei não, acho que tem juiz que faz mais do que simplesmente canetear.


Revisão de texto: prof. Beatriz A. Kloss

Feminices

O termo não é meu, mas achei interessante; estava procurando uma idéia para escrever um texto sobre o dia internacional da mulher, eis que encontrei.

Sobre elas já se disse tudo, penso! Se parasse por aqui certamente não correria o risco de escrever bobagens, coisas que acontecem quando nos dispomos a continuarmos, ainda mais as 03h20min, e caindo de sono.

Apesar de não me sentir obrigado, também não há porque não fazê-lo. Aliás, já o fiz ano passado, por ocasião do dias das mães. Mas mãe é mãe, disse alguém um dia e já ouvimos esta expressão a exaustão. Queria os direitos autorais, se a expressão fosse minha; qual o que, nem isso, nasci para ser pobrinho.

Então, sobre feminices.

Não sei se existe no Aurélio, nem vou procurar a esta hora, mas posso conjeturar muitas coisas sobre a expressão.

Feminices penso: são coisas de mulheres especiais. Á rigor todas são (esta seria a síntese perfeita para o desfecho), por inúmeros motivos, qualidades, razões, curvas e outros que tais.

A maioria, para não falar em unanimidade, procura inúmeras maneiras de cativar-nos, quando na verdade nós, é que deveríamos cativá-las; isto é, sempre que possível, pois não há desculpa quando cometemos uma cagada. Elas se esmeram no trato, cuidam-se de maneira a deixar-nos boquiabertos, ao se apresentarem lindas e maravilhosas, depois de um dia infernal de trabalho árduo e cansativo.

Desgraçadamente o bicho homem não reconhece o dispendioso cuidado, e consegue implodir um clima elaborado em horas de preparação e zelo, numa questão de segundos. Sobre estes senhores lamento, não por eles, mas pelas mulheres divinas que se prepararam para sujeitos que estariam melhor cuidando de semelhantes.

Há também mulheres insatisfeitas com as inúmeras leis que permeiam o mundo feminino, o qual o tempo é o fator cruel que regem a todas elas. Perdoem o mau jeito, mas o tempo é assim não apenas com vocês, eu que o diga. Particularmente não vejo nada errado na velhice, pelo menos com as partes que ainda funcionam, cionam, cionam, cionam, cionam.

Desejo então, dedicar algumas palavras de atenção a estas beldades; não há absolutamente nada errado em celulite, varizes como um mapa hidrográfico, linhas de rugas em volta dos olhos, à falta nos lábios do brilho do batom, a cor pálida da pele pela ausência do sol, porque mais dia menos dia todos ficarão decrépitos.

É obvio, no entanto, que apreciamos todo o cuidado com que se dedicam para impressionar-nos, ou deveríamos, faço o mea culpa. A despeito disto, gostaria que soubessem o quanto nos são caras, indispensáveis, insubstituíveis, necessárias, lindas e maravilhosas apenas por existirem. Sim, o homem deve dar valor a tudo isto, ou não é merecedor da mulher que se lhe dedica.

Sei que algumas sofrem por nossa causa, mas há reciprocidade nas questões do coração, o sentimento de mutualidade, ainda que seres humanos não sintam da mesma maneira, nem na mesma intensidade.

A verdade é que sem vocês a existência não teria sentido, pois está em vocês a magia da vida. Viva vocês mulheres maravilhosas. A todas, o meu reconhecimento incondicional e irrestrito.

O hábito faz o monge.

24/03 – 23:07 h. Idéias para um texto. O primeiro movimento, o pontapé inicial, a arrancada, não são sinônimos,  no entanto indicam um começo. No meu caso, um começo trôpego. Diários decididamente são tão mais fáceis, mas meu dia-dia é tão interessante quanto uma bula em chinês. Sorte ou azar, minhas atenções recaem para situações, coisas ou pessoas que conheço. Isto evita escrever sobre o que não domino. Paradoxalmente, isto me permite ousar, sobretudo quando escrevo sobre relacionamentos ou aquilo que os envolve. E é essa a idéia que me toma de supetão.

Anônimas, apesar de dividirem o mesmo espaço em minha tela, três pessoas, tem algo em comum. Duas são amigas – minhas – e a terceira gostaria que fosse, talvez um dia. Suas vidas particulares não dizem respeito a ninguém, além delas mesmo e daqueles que as cercam. Todas, sem exceções, tem problemas, dos mais diversos, assim como eu e….. bem,  alguém que por ventura leia isto.

Mas o que elas tem em comum além da síntese da palavra problema? Para responder a esta questão é necessário saber o que elas fazem. Uma é professora, outra é enfermeira e a última veterinária.

Em suas profissões está a resposta, mas queria discorrer um pouco mais sobre este assunto. A palavra que as une, inicialmente, é abnegação. Imagino que nem percebem de fato, como e quanto são dedicadas e desprendidas. Alheias aos problemas que lhe são inerentes, ao assumirem o seu lado profissional irradiam paixão pelo que fazem, o que torna, de imediato, a vida de quem lhes cruza o caminho, uma dádiva, pois é nesta entrega, nem sempre recíproca, que disseminam seu carinho e afeto, tão necessário a todos e que às vezes lhes falta. Dão tanto de si e nem sempre tem quem as acolha, quem lhes supra e recomponha tudo o que necessitam para poder continuar. São altruístas e abençoadas. Pessoas como elas é que fazem a diferença neste mundo insidioso. Aliás deveríamos ter mais pessoas assim. Aí então seríamos “seres humanos”. Gostaria que soubessem, quanto me sinto honrado por conhecê-las e o quanto sou grato por existirem. Dedico este texto a todas aquelas pessoas que de uma forma ou de outra fazem a diferença. :o )))