19/04 – 22:33 h , hoje, Roberto Carlos comemora setenta anos. Em diversos lugares seu nome será lembrado; rádios tocarão suas músicas, fãs clubes se reunirão para alguma atividade qualquer. Provavelmente, em sua casa, se houver um (a) admirador (a) do rei, por certo não deixará passar este dia sem que faça algum comentário, e não duvido que você não receba de um contato seu uma mensagem que lhe lembre da passagem de seu aniversário. Não é de admirar, seu público é fiel e cativo.
Não sou seu fã, no entanto cresci ouvindo suas canções. Com sete anos, via eventualmente na televisão, um programa chamado Jovem Guarda. Não lembro exatamente em que canal isso passava em minha cidade, creio que foi na extinta tevê Piratini, mas sei que o programa era da tevê Record e que durou de 1965 a 1969, sob o comando do já então consagrado, Roberto Carlos, juntamente com Erasmo Carlos e Wanderléia.
Não vou aprofundar na vida do rei Roberto, deixarei para aqueles que sobejamente escrevem sua história.
A referência ao Roberto, além da humilde lembrança pela passagem do seu setentenário, é que algumas de suas músicas, estão incluídas na trilha sonora da minha história.
Minha mãe ouvia, além do original, versões de seus sucessos nas interpretações do Maestro Erlon Chaves, Paul Mauriat, Ray Conniff todosantodia, mas não tinha muito do que me queixar, afinal pouco ficava em casa. A despeito disso não havia lugar onde sua música não fosse tocada, portanto, mesmo que não gostasse muito, não podia evitar atrelar passagens de minha vida com algumas de suas músicas.
Deste tempo tenho um amigo, a bem da verdade o único amigo que possuo (peço desculpas aos “amigos” das redes sociais, mas acredito que até estes sabem do que estou falando), e tirando algumas diferenças, nos respeitamos. Conheço-o há uns quarenta e quatro anos. Na juventude ficamos afastados e parte da vida adulta também. Eventualmente nos víamos em algum lugar da cidade, mas nossas vidas familiares não tinham nada em comum, sendo assim nosso contato praticamente inexistiu neste período.
Cerca de cinco anos atrás nos reencontramos, e desde então nos vemos seguidamente. Interessante essa coisa de amigo, apesar de andarmos afastados muito tempo, nunca perdemos este vínculo. Não cabe aqui explicar o que é amizade. Aqueles que, realmente tem amigos, sabem do que estou falando e aqueles que têm dúvidas, bem, procurem o significado no dicionário.
Crianças costumam eleger ídolos, super heróis, personagens que lhes agradam em determinadas fases da infância para fantasiar uma vida que não é a sua. Eu fiz isto, e lembro que isto era bem comum no tempo em que eu era pequeno.
Desta dupla, eu era o Erasmo, meu amigo o Roberto. Para nós, Erasmo e Roberto não eram cantores/músicos, eram simplesmente personagens de filmes de ação, que também cantavam. E se davam bem e é o que a maioria dos meninos quer; “se dar bem”.
Tiravámos dos filmes situações que eram adaptadas na vida real e tudo não passava de ficção, já que acontecer era impossível.
Tínhamos inclusive namoradinhas, infelizmente nem sabiam que existíamos. Era um mundo a parte, mas apesar da ficção, havia sentimentos verdadeiros. Dividimos muito com nossas experiências, rimos, brincamos, sentíamos pesar pelas não conquistas, nos frustrávamos quando “nossas” namoradinhas (bem maiores é claro) arrumavam namorados verdadeiros. As músicas acentuavam as “perdas”, principalmente aquelas que remetiam a coisas tristes, como a letra de De tanto amor. Aqui um trecho do filme onde a música é tocada. É de chorar no cantinho.
Hoje, quando ouço uma destas canções, que me lembra da minha infância, não mudo a estação de rádio.
Foi uma fase importante da minha vida, onde a fantasia era a minha realidade. Ela superava as coisas ruins, as carências que eu tinha, supria as minhas necessidades. Não sou mais o Erasmo, aquilo durou alguns meses depois de termos visto o filme Roberto Carlos – A 300 km por hora.
Apesar da fantasia, a amizade verdadeira permaneceu, e por incrível que pareça, ele não faz parte dos meus amigos de rede social. Não está ali, mas está sempre presente. Assim como estão presentes todas as pessoas importantes na minha vida. Não preciso apontar, elas sabem que são importantes para mim.
Amizades verdadeiras não precisam constar em redes sociais. Elas te acompanham e independem de interagir. Dispensam tecnologia, preferem o telefone, o contato real, do que lembranças virtuais. Parece que o face anda querendo arrumar-me amizades, mas não é a quantidade que me importa, e sim a qualidade.
O rei Roberto tem o seu amigo, assim como eu tenho o meu. Não sei quanto tempo viveremos, mas espero que enquanto estiver vivo, possa honrar o amigo que eu tenho e as pessoas que mais prezo neste mundo. Aos demais o meu respeito.
P.s.: parabéns.
27/03 – 23:50 h. – Preferiria escrever sobre algo que domino. Isto certamente evitaria que me aborrecesse e jogasse o teclado contra parede. E, estava, prestes a fazê-lo (nada como um drama), quando me dei conta que seria interessante arriscar.
Críticas são sempre bem vindas, mas tendem a crueldade quando, ao colocarmos nossos pontos de vista, esbarramos na falta de conhecimento. E justamente isto é que me impedia de tocar em assuntos que dependiam de análise criteriosa, profunda, e não superficial, como a que tenho.
Ocorre que ao não fazê-lo, entro diretamente para o grupo daqueles que pecam por falta e omissão.
Somos uma “ilha” – disse alguém certa feita – e, duvido que alguém a isto conteste. Acreditamos que ao isolar-nos dos problemas, ficamos abstraídos às coisas que acontecem, que nos incomodam tanto, que nos fazem pensar no alheio. Sim, acontecem e, querendo ou não, sofremos. Melhor falar na primeira pessoa, sofro. Toda sorte de mazelas e desgraças espoca em nossa volta. Lamentavelmente nada fazemos. É tão mais fácil engolir a seco. Olhar para o lado é melhor que negar. Como se nada nos atingisse, e porque se incomodar? Afinal estamos aonde chegamos por mérito próprio, ninguém nos deu(?), e depois, já chega todos os problemas que vivemos. Problemas? Contas em atraso, filas intermináveis, filhos incompreendidos, mau humor, discussões banais, trabalho cansativo, amores mal resolvidos, etc. Sim, porque se incomodar e por quê trazer ao nosso mundo os problemas dos outros. Logo nos vem aquele pensamento confortável, aquele que nos indica que mesmo que ofertamos um prato de comida, nada acontecerá para mudar o destino de quem atendemos de imediato. Será? Basta um gesto de carinho, um saciar de sede, um matar de fome. Naquele momento, tenha certeza de que você fez a sua parte. A paga pode ser pouca, se é que você espera por algo assim. Mas se o reconhecimento vier num sorriso, terá valido a pena, quem sabe o seu gesto não mude um destino paralelo. Navegar é preciso.
Bem, imagino que alguém agora esteja pensando, é tão simples assim? Um gesto apenas irá acabar com o meu incômodo? Responder a isto certamente faria pensar que alguém que leia isto, é dado a poucas reminiscências, ou você ainda não se deu conta do lugar em que vive? Todos sabem que não, todos sabem o que é preciso mudar, para que questões como estas não nos incomodem mais. No entanto continuamos a manter esta pirâmide. Somos a base que elege os incompetentes, e pior do que isto, reelege. Sofremos da perda de memória seletiva. Ou alguém lembra em quem votou na eleição passada? Se quiser que algo aconteça, que alguém faça diferente, que a minha consciência não doa, nem incomode, vou começar valorizando aquele que indico para me representar politicamente. Alguém que pense como eu. Ou talvez como você. Desde sempre ouço dizer que somos o país do futuro. Pois bem, quero o meu futuro agora. E é com este pensamento que irei votar nas próximas eleições. E é assim que imagino que mudarei alguma coisa, que me fará ser mais do que uma ilha.