Teu olhar – by me

Em teus olhos há algo
que nunca soube entender
o dia, à noite, os mistérios
talvez a razão do meu viver (será?).

Por vezes quis abandonar-me
deixar me levar pelo teu olhar
porém tive receio,
tive o temor,
tive a angústia
de não mais poder voltar

Estranha sensação essa que sinto
de querer me perder
naquilo que me faz sonhar
no brilho que me faz viver
e seguir no teu olhar
para onde ele me levar

Mas tenho medo,
medo de me perder
de deixar para trás,
tudo o que você é,
tudo o que você me dá

Tenho medo de enlouquecer
naquilo que mais me fascina
e de não mais poder voltar.

Tenho medo do teu olhar.

Enquanto o Ecad não vem:

Até quando?

27/03 – 23:50 h. – Preferiria escrever sobre algo que domino. Isto certamente evitaria que me aborrecesse e jogasse o teclado contra parede. E, estava, prestes a fazê-lo (nada como um drama), quando me dei conta que seria interessante arriscar.

Críticas são sempre bem vindas, mas tendem a crueldade quando, ao colocarmos nossos pontos de vista, esbarramos na falta de conhecimento. E justamente isto é que me impedia de tocar em assuntos que dependiam de análise criteriosa, profunda, e não superficial, como a que tenho.

Ocorre que ao não fazê-lo, entro diretamente para o grupo daqueles que pecam por falta e omissão.

Somos uma “ilha” – disse alguém certa feita – e, duvido que alguém a isto conteste. Acreditamos que ao isolar-nos dos problemas, ficamos abstraídos às coisas que acontecem, que nos incomodam tanto, que nos fazem pensar no alheio. Sim, acontecem e, querendo ou não, sofremos. Melhor falar na primeira pessoa, sofro. Toda sorte de mazelas e desgraças espoca em nossa volta.  Lamentavelmente nada fazemos. É tão mais fácil engolir a seco. Olhar para o lado é melhor que negar. Como se nada nos atingisse, e porque se incomodar? Afinal estamos aonde chegamos por mérito próprio, ninguém nos deu(?), e depois, já chega todos os problemas que vivemos. Problemas? Contas em atraso, filas intermináveis, filhos incompreendidos, mau humor, discussões banais, trabalho cansativo, amores mal resolvidos,  etc. Sim, porque se incomodar e por quê trazer ao nosso mundo os problemas dos outros. Logo nos vem aquele pensamento confortável, aquele que nos indica que mesmo que ofertamos um prato de comida, nada acontecerá para mudar o destino de quem atendemos de imediato. Será? Basta um gesto de carinho, um saciar de sede, um matar de fome. Naquele momento, tenha certeza de que você fez a sua parte. A paga pode ser pouca, se é que você espera por algo assim. Mas se o reconhecimento vier num sorriso, terá valido a pena, quem sabe o seu gesto não mude um destino paralelo. Navegar é preciso.

Bem, imagino que alguém agora esteja pensando, é tão simples assim? Um gesto apenas irá acabar com o meu incômodo? Responder a isto certamente faria pensar que alguém que  leia isto, é dado a poucas reminiscências, ou você ainda não se deu conta do lugar em que vive? Todos sabem que não, todos sabem o que é preciso mudar, para que questões como estas não nos incomodem mais. No entanto continuamos a manter esta pirâmide. Somos a base que elege os incompetentes, e pior do que isto, reelege. Sofremos da perda de memória seletiva. Ou alguém lembra em quem votou na eleição passada? Se quiser que algo aconteça, que alguém faça diferente, que a minha consciência não doa, nem incomode, vou começar valorizando aquele que indico para me representar politicamente. Alguém que pense como eu. Ou talvez como você. Desde sempre ouço dizer que somos o país do futuro. Pois bem, quero o meu futuro agora. E é com este pensamento que irei votar nas próximas eleições. E é assim que imagino que mudarei alguma coisa, que me fará ser mais do que uma ilha.