Incondicional

Adjetivo imperativo, absoluto. A palavra nos dicionários é explicada de forma concisa, peremptória, não há mais o que se acrescentar.

In + condicional, esta é a etimologia, significa algo que não depende de condições; sem restrições. Alguns dicionários agregam outros sinônimos, apenas para enfatizar a representação da palavra. Aqui na terrinha¹, sobre isso, diz-se o seguinte: “Tchê, para de encher linguiça” (não Word, não tem mais trema, que mania – obrigado Sarney² por esta bosta, sancionada por um semianalfabeto – que antes da reforma era semi-analfabeto!).

Descrevê-la é fácil, difícil, no entanto, é senti-la. Alguns passarão pela vida sem sequer experimentar algo parecido. Quando desconhecemos algum sentimento, ou qualquer outra coisa que nos pareça estranha, obviamente não lamentamos, já que não nos faz falta; isso é lógica, pura e simples.

Uma lástima, se as pessoas se gostassem mais o mundo não seria um lugar tão complicado de se viver.

Se a palavra por um lado é concisa no significado, por outra é ampla na extensão onde é empregada, naquilo que abrange e incide sobre si mesma.

Então vejamos; alguns tipos de amores diferem quanto o emprego sentimental.

Há o fraternal e este nem sempre é incondicional; existem irmãos de sangue que são estranhos entre si e há amigos que são irmãos literais.

Diz-se que amor materno o é, por conseguinte paterno também seria. Será? Bem eu amo incondicionalmente meus filhos, porém meu pai não nos amou assim. Sem choro.

Isso é algo muito pessoal, mas creio que a maioria de pais e irmãos, ama desta forma; incondicionalmente. Exceções há em qualquer instância e nesses casos também não causariam espanto. Eu é que sei…. ups.

Seres humanos que não amam incondicionalmente têm dificuldades em compreender o que isto significa. Amam sim, mas amam de maneira diferente. Por dedução, por analogia, a compreensão da palavra está no sentir, não há outra forma de entendimento.

Aprendi a amar assim quando meu primeiro filho nasceu. No início assustei-me pelo simples fato de não mensurar o que seu nascimento, naquele momento, significava. Sequer tinha capacidade de cuidar minha própria vida, então me vi num dilema; como poderia cuidar de outro ser, se ainda não tinha definido o que seria a minha existência.

A responsabilidade, o cuidado que nunca tivera comigo, se fez quase instantâneo, a partir do momento que me dei conta de que meu filho precisaria de amparo, de cuidados, de atenção e carinho, até que pudesse andar por este mundo sozinho. Hoje, a despeito de todas as minhas falhas, ele é completamente independente, assim como os demais filhos que tenho.

Amo-os incondicionalmente, e imagino que nem se dêem conta disso. Não preciso demonstrar, nem preciso que saibam disto, mas é como sinto. Se algum deles adoece, eu sofro, se algum deles tem dificuldades, me preocupo, se algum deles tem problemas e participam não me omito. No entanto amar incondicionalmente não significa que eu tenha que abdicar dos meus valores, da minha individualidade. Dôo-me na medida em que precisam. E assim será até o fim dos meus dias.

Há o amor incondicional entre casais, e agora já se aceita que estes sejam compostos, também por pessoas do mesmo sexo. Há bem da verdade, na história da humanidade sempre houve homossexualismo, mas apenas nos dias de hoje se encara como algo normal, salvo exceções (vide casos de homofobia que ainda pululam por aí).

O ser humano para algumas coisas é muito obtuso, ignorante, completamente bitolado. Isto foi administrado pelo poder emanado na própria sociedade, por leis e dogmas religiosos em que a igreja ainda é fiel e mantenedora. Felizmente isto está mudando. A felicidade plena só é feita aos pares, seja eles do mesmo sexo ou não, mesmo que não incondicionalmente.

Quem ama incondicionalmente é tolerante, compreensivo, desapegado, nunca espera reciprocidade do outro, faz coisas sem nenhuma outra intenção (embora ao ser que é amado possa não parecer), perdoa quem lhe faz sofrer, porque para si próprio, amar incondicionalmente está em sublimar a existência de quem lhe arrebata a vida.

Quem ama incondicionalmente não cobra, não desdenha, não subestima, não superestima, não é vítima, nem é doente. É abnegado, altruísta, excede em atitudes que pode parecer ao outro, algo que beira ao surreal, uma vez que não encontra receptividade na falta de compreensão do ser amado, mas jamais o culpa por isto, afinal o ama incondicionalmente.

Aquele que ama incondicionalmente sequer espera alguma coisa. É capaz inclusive de continuar a amar mesmo que seu par o abandone, pois a este a felicidade do outro é mais importante que a sua. O amor incondicional, quem ama incondicionalmente pode inclusive abrir mão do ser amado se de alguma forma entender que ele será feliz de outra maneira, ou até com outro amor. Triste verdade.

E você ama incondicionalmente? Escreva aí.

I noticed that walk beyond the boundaries of my city, for some reason still do not know. Anyway, I want to thank all those who come here from other places. Thank you very much.

( ¹ ) Nota do autor (me): lugarzim onde habito, ah sim, no RS. Em tempo: sério gente, a minha vida mudou muito depois que tiraram o trema e suprimiram o hífen.

( ² ) Nota do autor (me again): se você tiver um tempinho, leia o texto do link e talvez possa entender o meu ranço com a reforma ortográfica.

Porque ele vem aqui em abril, porque é trilha sonora da minha vida.

Dos reclames

12/02 – 18:12 h, confesso que ando preguiçoso para escrever. Rotina talvez, completa falta de inspiração, mas não dá pra deixar de chutar o que está quicando. Afinal, para algumas coisas, não há necessidade de inspiração, basta apenas fazer o que se espera. Chutemos, pois!
Comentar, por exemplo, não requer nada além de observar. E tenho feito isso sobejamente. O país, ou pelo menos um bom percentual dele, está em sintonia com o governo estabelecido (acho que tem relação com a bolsa “olha-eu-aqui, olha-eu-aquiiii”).
Honestamente, espero daqui algum tempo (se viver para tanto), registrar que a minha desconformidade em relação à presidente em exercício, tenha sido apenas ranço partidário. Que ela tenha competência para exercer o cargo para ao qual foi alçada.
Vale mencionar que o endurecimento da presidente(a) em torno do aumento do salário mínimo (sim, ela endureceu, veja aqui), não ganhou eco no aumento dos parlamentares. Bem já vimos essa novela antes, para eles, o céu; para nosotros…
Mal começou o ano, e aqueles (eles gostam de assim ser reconhecidos) nobres deputados eleitos – por quê os outros já conhecíamos – estão ratificando aquilo que algumas poucas pessoas já imaginavam (cá pra nós, não precisava vidência para saber como se comportariam) que fariam. Já flagraram excelentíssimo Deputado Romário (vulgo Romário), dormindo na câmara dos deputados, e também jogando futevôlei quando deveria estar fazendo aquilo pelo qual foi eleito, quer dar uma espiadela?
Agora, sinceramente, porque ainda se surpreendem com isso? Cacete! Votaram nele, no Tiririca, no Popó, e em outros tantos inaptos baseados em que? Por quê raios este povo não se dá ao trabalho de procurar eleger alguém que honre o cargo postulado e, que efetivamente, trabalhe visando o bem estar do povo que o elegeu e não ao seu próprio bolso?
Nada muda efetivamente neste país. Às pressas e com a maior cara de pau, os nobres representantes do povo votaram num aumento escorchante. E, para tanto, sobravam justificativas que beiravam ao escárnio, sem se preocuparem em ofender-nos com tamanho acinte. Para qualquer outra matéria de interesse, geralmente falta quórum. Há dias que discutem o valor pífio do salário mínimo. E, a presidente eleita, defende com veemência a esmola de R$ 5,00, que hoje, na cidade onde resido, não paga duas passagens de ônibus.
Cada deputado custa ao erário cerca de R$ 200.000,00 mensais, com o último aumento. Vi, em um noticiário, que a REFORMA dos imóveis disponíveis para estes ilustres caras de pau, custaria aproximadamente R$ 400.000,00. Não encontrei material que pudesse ratificar isto, mas no link a seguir, há um valor bem próximo do que vi e o registro é de antes disto, ou seja, não está muito longe do que já havia tomado conhecimento: clique aqui.
Cabe lembrar que os imóveis têm cerca de 250 m², para alojar com dignidade a família do nobre representante público e seus convivas, com direito a jacuzzi.
O interessante é que se confina uma família de dez pessoas em 48m², por aproximadamente R$ 65.000,00 (valor de referência de um grupo de empresas associadas), ou menos, como se verá a seguir.
O Zé povinho se atira no Minha Casa Minha Vida, comprometendo parte do seu salário para se espremer em 37 m²; aqui as características do empreendimento:
as unidades habitacionais apresentam tipologia de casas térreas ou apartamentos.
Tipologia mínima apresentada para casa térrea:
• 02 quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço;
• área útil mínima de 32 m².
Tipologia mínima apresentada para apartamento:
• 02 quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço;
• área útil mínima de 37 m².
Agora, também observei, que a violência neste país é característica da força de trabalho exercida pela profissão de vagabundo. Parece que o crime agora necessita de mão de obra especializada, afinal, ela também move boa parte do nosso PIB.
A lógica é a seguinte; se perdemos mais, produzimos mais, uma vez que temos que manter a máquina funcionando.
Somos reféns de um governo que legisla em causa própria de um lado e, de vagabundos que, a seu favor, tem penas insignificantes (se e quando pegos pela justiça) e que entram e saem de presídios apenas para se profissionalizar, já que é árduo o seu trabalho de aliviar o alheio.
O sistema de saúde “upa” pública (desculpe, onde se lê upa, leia-se ups) é ainda caótico, e não creio que passará das promessas da distinta presidente ou presidenta como queiram.
Pasmem!
Na terra brasilis onde a presidenta(e) faz lobby e rosna para que se mantenham a esmola de R$ 5,00 (e para isto o governo favorece liberando emendas no valor de R$ 653,7 milhões de gastos autorizados ou ampliados; o famoso toma-lá-dá-cá, e isso tudo nos primeiros onze dias de fevereiro, totalizando um percentual de aumento de 441%, em relação a janeiro: fonte: aqui), nos faz pensar o seguite: PQP! Com todo respeito.
Tem muito mais para se chutar, mas para não me estender muito, vou apenas repassar esta anedota: num país latino qualquer, para a Comissão de Constituição e Justiça, foi colocado para presidi-la nada mais, nada menos, que um protagonista de um dos maiores escândalos da história daquele país, parafraseando o seu presidente anterior: “nunca antes na história deste país ….” ah, não lembro, sei que o nome do escândalo era chamado de mensalão. Sem graça não? Também achei. Desculpem!
Concomitantemente, os egípcios derrubaram um regime que lhes oprimiu por três décadas, não creio que o nosso povo se dê este trabalho, afinal sobram bolsas esmolas para todos, você já pegou a sua?

Até quando?

27/03 – 23:50 h. – Preferiria escrever sobre algo que domino. Isto certamente evitaria que me aborrecesse e jogasse o teclado contra parede. E, estava, prestes a fazê-lo (nada como um drama), quando me dei conta que seria interessante arriscar.

Críticas são sempre bem vindas, mas tendem a crueldade quando, ao colocarmos nossos pontos de vista, esbarramos na falta de conhecimento. E justamente isto é que me impedia de tocar em assuntos que dependiam de análise criteriosa, profunda, e não superficial, como a que tenho.

Ocorre que ao não fazê-lo, entro diretamente para o grupo daqueles que pecam por falta e omissão.

Somos uma “ilha” – disse alguém certa feita – e, duvido que alguém a isto conteste. Acreditamos que ao isolar-nos dos problemas, ficamos abstraídos às coisas que acontecem, que nos incomodam tanto, que nos fazem pensar no alheio. Sim, acontecem e, querendo ou não, sofremos. Melhor falar na primeira pessoa, sofro. Toda sorte de mazelas e desgraças espoca em nossa volta.  Lamentavelmente nada fazemos. É tão mais fácil engolir a seco. Olhar para o lado é melhor que negar. Como se nada nos atingisse, e porque se incomodar? Afinal estamos aonde chegamos por mérito próprio, ninguém nos deu(?), e depois, já chega todos os problemas que vivemos. Problemas? Contas em atraso, filas intermináveis, filhos incompreendidos, mau humor, discussões banais, trabalho cansativo, amores mal resolvidos,  etc. Sim, porque se incomodar e por quê trazer ao nosso mundo os problemas dos outros. Logo nos vem aquele pensamento confortável, aquele que nos indica que mesmo que ofertamos um prato de comida, nada acontecerá para mudar o destino de quem atendemos de imediato. Será? Basta um gesto de carinho, um saciar de sede, um matar de fome. Naquele momento, tenha certeza de que você fez a sua parte. A paga pode ser pouca, se é que você espera por algo assim. Mas se o reconhecimento vier num sorriso, terá valido a pena, quem sabe o seu gesto não mude um destino paralelo. Navegar é preciso.

Bem, imagino que alguém agora esteja pensando, é tão simples assim? Um gesto apenas irá acabar com o meu incômodo? Responder a isto certamente faria pensar que alguém que  leia isto, é dado a poucas reminiscências, ou você ainda não se deu conta do lugar em que vive? Todos sabem que não, todos sabem o que é preciso mudar, para que questões como estas não nos incomodem mais. No entanto continuamos a manter esta pirâmide. Somos a base que elege os incompetentes, e pior do que isto, reelege. Sofremos da perda de memória seletiva. Ou alguém lembra em quem votou na eleição passada? Se quiser que algo aconteça, que alguém faça diferente, que a minha consciência não doa, nem incomode, vou começar valorizando aquele que indico para me representar politicamente. Alguém que pense como eu. Ou talvez como você. Desde sempre ouço dizer que somos o país do futuro. Pois bem, quero o meu futuro agora. E é com este pensamento que irei votar nas próximas eleições. E é assim que imagino que mudarei alguma coisa, que me fará ser mais do que uma ilha.