Quem procura…

26/09 – 23:40 h, uma pausa na correria de sempre e lembrar-se dos pequenos prazeres deixados de lado. Não muito tempo atrás, descobri no Incompletudes esta banda que vos trago hoje. Chama-se Amelia Band. Está como trilha musical de um post sobre um passeio por São Paulo num dia chuvoso, como acontece agora, na cidade onde moro.

Começou como um duo, em 2002 com Teisha (vocal e violão e bateria) e Scott (guitarra e bateria). Tocavam juntos e começaram a gravar em  4-track (fita usada em estúdios de gravação profissional para gravação multipista (também conhecido como multitracking ou apenas monitoramento) é um método de gravação de som  que permite a gravação em separado de múltiplas fontes de som para criar um conjunto coeso. Este é o método mais comum de gravação de música popular. Na década de 2000 o software, multitracking  para computadores, se tornaram amplamente utilizados).

Seu primeiro álbum data de 2002, e se chama "Somewhere Left to Fall …", com outros integrantes: Jesse Emerson (baixo) e Richard Cuellar (bateria) .  Em 2003 lançaram o seu segundo álbum chamado "After All", em 2005, outro chamado “Por Avion” e em 2007, um álbum sem nome de onde eu pincei esta música no youtube.

Numa noite como esta, com chuva, sem uma companhia para dividir, ouvir música é a outra boa alternativa. Enjoy!


  

 

Saudade…

Saudade…

 

“… chegou de repente o fim da viagem

agora já não dá mais pra voltar atrás…”

 

 

E por falar em saudade… é, Vinícius sabia muito. Este ano, se estivesse entre nós, Elis Regina completaria 61 anos. Não sou historiador e, tão pouco, crítico  musical. Gosto de música, boa música. As pessoas que me conhecem (e são poucas) sabem que tenho um gosto um tanto apurado e não escuto qualquer coisa. Felizmente. 

Dentre todas as intérpretes de que gosto, ouvir Elis é sempre um prazer renovado. Sua voz límpida, segura, incomparável. Ouvir Elis.

Não cabe, pois, comentar sobre a sua carreira interrompida estupidamente e, muito menos, determinar o seu lugar – para sempre vago – no cenário musical.  Dona de um temperamento controverso, que sempre a deixava em evidência, não raro, atraía para si comentários desfavoráveis a sua postura fora de palco. Boa parte de seus conterrâneos, jamais a perdoou, por não levar consigo o bairrismo, tão comum e exacerbado de nossa gente. Tudo porque não tinha fronteira nem “papas na língua”. Sua determinação e garra superavam, muito, a sua baixa estatura. Isto, no entanto, jamais se evidenciava. De personalidade forte, Elis sempre buscou estar à frente do seu tempo. Não era apenas uma intérprete. Tinha de sobra qualidades. Sua voz era – e é – um caminho que conduzia o prazer de se ter os ouvidos acarinhados.

Muitos músicos por ela foram pinçados, sua capacidade para lançar novos talentos era inconteste. Elis colocou em evidência músicos importantes da MPB. Milton, João Bosco, Chico Buarque, Belchior, entre outros tantos, tiveram na sua voz o reconhecimento da crítica especializada. Suas interpretações são magníficas. Não conheço, quem, em sã consciência consegue ouvir Atrás da Porta, interpretado por ela, sem que suspire profundamente, a perda de um amor, pasmem, que nem nosso é devido. É de chorar no cantinho. A dor pungente do adeus, é sentida em toda sua intensidade. Bolero de Satã, do fabuloso dentista/compositor e mestre Guinga e de seu parceiro e de outros tantos, o inigualável, Paulo César Pinheiro, é resumida em uma simples palavra: linda. Acumulava trabalhos antológicos, Tom & Elis, Transversal do Tempo, Elis, essa Mulher, Elis e outros, Elis Regina Falso Brilhante, Elis – Luz das estrelas, etc. Uma discografia irrepreensível. Se minha vida fosse musicada, parte dela teria a voz de Elis ao fundo. Há 24 anos vivemos de saudades. A alegria ao cantar Upa Neguinho, a irreverência na música de Adoniran Barbosa, a tristeza, o sofrer, presente em outras tantas canções “ilustradas” pela sua voz fantástica deixaram marcas indeléveis em pessoas que como eu, ainda a ouvem com reverência e tesão.

“… e agora me aperta a aflição

de chorar louco e só de manhã

é a seta do arco da noite

sangrando-me agora

são lágrimas, sangue, veneno

correndo no meu coração

formando-me dentro este pântano de solidão…”

 

 

Vantagens e desvantagens de se trabalhar por conta

14/03 – 11:52 h. Vantagens e desvantagens de se trabalhar por conta.

Quando se pensa em trabalhar, a primeira coisa que nos vem à cabeça é o que fazer para se estar num lugar que nos de prazer e, de quebra, um salário razoável. Difícil. Geralmente o que nos é ofertado(?) não consegue coadunar prazer e salário. Isto nos remete a um dilema:  ou o prazer ou o salário. E creiam, nem isto é fácil. Já algum tempo tenho sobrevivido trabalhando por conta. Tempos horríveis enfrentei. As calmarias nestes mares são escassas. Isto torna a vida bem problemática. Não fosse pelos dependentes, certamente o prazer seria o meu norte. Isto, porém, é um luxo que há muito abdiquei. Existem dois estágios distintos quando se trabalha desta maneira: tudo vai bem quando o serviço aparece e você pode preocupar-se apenas em fazer aquilo pelo qual lhe contrataram. Isto é ser profissional.  Mas quando a questão envolve valores (o chamado menor custo), o problema começa aí. Os critérios de escolha, da parte de quem contrata, beiram ao bizarro. Ou seja, existe o serviço, precisam de quem o execute mas, e sempre tem um mas, o preço a ser pago é aviltante. Por mais depreciativo que seja o valor pago e você pense que ninguém trabalhará pela miséria que lhe ofertam, eis que surge uma alma débil, estúpida, e cá entre nós, se pudéssemos o estrangularíamos, nosso “querido” concorrente. Ok, você é daqueles que acredita que há um lugar ao sol para todos. Mas puxa, tinha que ser justo no meu espaço? Ninguém trabalha apenas porque gosta. É necessário, e até aí, não há alguma novidade. O saldo é que é negativo. Já abri mão de prestar serviços a uma grande multinacional de telecomunicações, apenas porque o “target” estabelecido me informava, nas entrelinhas, que eu teria que pagar pela oportunidade impar que me ofereciam em trabalhar para sua marca. E declinei por dois anos seguidos. Imagino que depois que demonstrei minha indignação – por meio de ofício –, fui descartado nas concorrências seguintes. A única coisa que me “orgulha” nisto tudo, é que hoje, ao passar em um dos locais em que prestam o serviço que declinei, posso dizer sem nenhum pudor: "Eu não cuido esta merda". Eis aqui a vantagem de se trabalhar por conta. Isto não tem preço.