Dignidade, eu quero uma pra viver…

Pare o mundo que eu quero descer. A frase é atribuída a mais de um autor, Torquato Neto, Raul Seixas, Sílvio Brito e vários outros chupadores¹ (a velharia sabe a quem me refiro).

Pois pensava que esta seria uma boa solução para acabar com os problemas que grassam neste mundinho azul, povoado de cerumanos vis e usurpadores; parar com tudo e simplesmente pular fora, deixar que estas aberrações dominem tudo e, torcer de longe, de um plano mais elevado (?), que ao final das contas, lhes reste apenas o próprio extermínio.

Fácil demais, não está certo isso. Chegamos aqui em condições de igualdade, o meio é que nos diferencia. Poderosos necessitam de imbecis para perpetuarem-se no poder, haja vista a política, abarrotada de ignorantes que visam apenas seu próprio benefício, e não nos pasmamos mais, apenas aceitamos cordeiramente.

Aos poucos nós, mocinhos, deixamos nos envolver. Somos prisioneiros em nossos próprios lares, reféns de um novo segmento de mercado de trabalho que visa o bem alheio e, laborado, violentamente de graça e/ou a custa do nosso sangue, bastando apenas estarmos no lugar errado e na hora errada; a isto dão o nome simplório de “azar do coitado (a)”.

Ando cansado disto, de apenas reclamarmos, de nos omitirmos, de aceitarmos passivos e ordeiros, todo tipo de agressão moral e física.

Infelizmente não há solução passiva. As grandes mudanças ao longo da história sempre foram marcadas de sangue, mas……………………….. o mundo mudou. Felizmente mudou caríssimo leitor – e a outros menos afetos a violência (é falar em sangue e noventa por cento já para de ler e dá um jeito de cair fora).

Dispomos de ferramentas e principalmente de ideias para melhor usufruí-las. Estamos no limite e devemos nos posicionar, temos que recuperar aquilo que estão nos levando paulatinamente. Tudo que necessitamos é descobrir onde foi parar a nossa dignidade, onde?

Não sei, procure embaixo da cama, num armário qualquer, quem sabe dentro de si próprio. Convoque-se, alerte seus amigos (você que é chegadinho numa rede social e que tem milhares de amigos, a vida é bem mais que abobrinhas), faça coro. Ano que vem teremos eleições, e se quisermos modificar alguma coisa nesta merda de vida que levamos, é melhor começar fazer algo, djá.

Mas se a preguiça, ou o descaso não lhe deixar, não espere o mundo parar, pule simplesmente, mas faça com ele em movimento.

(¹) Nota do autor (eu, claro), diz-se – também – chupadores aqueles que se apropriam de coisas alheias, termo utilizado aqui nesta terrinha longínqua e sui generis.

Sou quase um purista, prefiro Little Wing com Jimi Hendrix, mas achei adequado essa versão com The Corrs, certamente mais agradável a grande maioria. Enjoy!

Até quando?

27/03 – 23:50 h. – Preferiria escrever sobre algo que domino. Isto certamente evitaria que me aborrecesse e jogasse o teclado contra parede. E, estava, prestes a fazê-lo (nada como um drama), quando me dei conta que seria interessante arriscar.

Críticas são sempre bem vindas, mas tendem a crueldade quando, ao colocarmos nossos pontos de vista, esbarramos na falta de conhecimento. E justamente isto é que me impedia de tocar em assuntos que dependiam de análise criteriosa, profunda, e não superficial, como a que tenho.

Ocorre que ao não fazê-lo, entro diretamente para o grupo daqueles que pecam por falta e omissão.

Somos uma “ilha” – disse alguém certa feita – e, duvido que alguém a isto conteste. Acreditamos que ao isolar-nos dos problemas, ficamos abstraídos às coisas que acontecem, que nos incomodam tanto, que nos fazem pensar no alheio. Sim, acontecem e, querendo ou não, sofremos. Melhor falar na primeira pessoa, sofro. Toda sorte de mazelas e desgraças espoca em nossa volta.  Lamentavelmente nada fazemos. É tão mais fácil engolir a seco. Olhar para o lado é melhor que negar. Como se nada nos atingisse, e porque se incomodar? Afinal estamos aonde chegamos por mérito próprio, ninguém nos deu(?), e depois, já chega todos os problemas que vivemos. Problemas? Contas em atraso, filas intermináveis, filhos incompreendidos, mau humor, discussões banais, trabalho cansativo, amores mal resolvidos,  etc. Sim, porque se incomodar e por quê trazer ao nosso mundo os problemas dos outros. Logo nos vem aquele pensamento confortável, aquele que nos indica que mesmo que ofertamos um prato de comida, nada acontecerá para mudar o destino de quem atendemos de imediato. Será? Basta um gesto de carinho, um saciar de sede, um matar de fome. Naquele momento, tenha certeza de que você fez a sua parte. A paga pode ser pouca, se é que você espera por algo assim. Mas se o reconhecimento vier num sorriso, terá valido a pena, quem sabe o seu gesto não mude um destino paralelo. Navegar é preciso.

Bem, imagino que alguém agora esteja pensando, é tão simples assim? Um gesto apenas irá acabar com o meu incômodo? Responder a isto certamente faria pensar que alguém que  leia isto, é dado a poucas reminiscências, ou você ainda não se deu conta do lugar em que vive? Todos sabem que não, todos sabem o que é preciso mudar, para que questões como estas não nos incomodem mais. No entanto continuamos a manter esta pirâmide. Somos a base que elege os incompetentes, e pior do que isto, reelege. Sofremos da perda de memória seletiva. Ou alguém lembra em quem votou na eleição passada? Se quiser que algo aconteça, que alguém faça diferente, que a minha consciência não doa, nem incomode, vou começar valorizando aquele que indico para me representar politicamente. Alguém que pense como eu. Ou talvez como você. Desde sempre ouço dizer que somos o país do futuro. Pois bem, quero o meu futuro agora. E é com este pensamento que irei votar nas próximas eleições. E é assim que imagino que mudarei alguma coisa, que me fará ser mais do que uma ilha.