A vaga é minha?

28/04 – 02:10 h, esfriou. Sensação térmica dez graus. Gosto do frio, embora já tenha gostado mais. Ficar velho tem suas desvantagens, paciência.

Enfim, não é sobre o tempo e a minha excessiva sensibilidade que motivou a escrever este textículo e, muito embora não tenha a ver com a minha idade – o incômodo – isto me aborrece por motivos que vou discorrer, é claro se não for vencido pelo sono que insiste me jogar em algum lugar para o corpo poder então descansar (essas rimas idiotas me perseguem sempre, nossa!).

Bueno (expressão da terrinha), o Supremo Tribunal Federal (STF), julgou nesse abril de 2012, o sistema de cotas.

Uél, antes de começar a verborragia, cabe lembrar que esta merda¹ começou com a UNB – Universidade Federal de Brasília, a saber: a primeira universidade a instituir o sistema de cotas, em junho de 2004.

Não sei o que me aborrece mais neste episódio; se é o STF constitucionalizar a segregação, ou as mirabolantes e elaboradas lucubrações² daquelas cabeças arejadas, conhecidas entre nós pobres mortais como ministros.

Ao negro (preto) e o pardo (que se autodeclararem assim (sic!)???), será garantido vinte por cento das vagas oferecidas nas universidades. Levando-se em consideração que boa parte da população do país tem o pé na África, vai ser complicado negar vaga aquele que comprovar na sua arvore genealógica que descende de negros. Assim sendo, temos aqui o primeiro revés; não seria de se espantar, que a procura pelas vagas reservadas aumentasse, já que muita gente pode se valer da descendência a fim de garantir seus direitos.

Vejamos então uma situação ao qual esta lei se aplicaria.

Imagine o veto baseado apenas na interpretação visual: o “quem³” (funcionário de carreira em alguma universidade qualquer) olhará o candidato de cima a baixo, suspirará umas quatro, cinco vezes (profundamente) e lhe dirá:

- Escute aqui seu branquelo sem noção, vá procurar sua turma!!!

O branco (preto de descendência) sairá arrasado com a negativa e, ao cruzar as portas da instituição por onde havia entrado se depara com um assistente de algum escritório de advocacia qualquer, especializado em conquistar o direito daqueles que se sentiram lesados pelo “quem”, e lhe oferecerá seus préstimos, garantindo que através de liminar sua vaga estará assegurada, bastando apenas um examezinho de DNA e três testemunhas que afirmem que ouviram supostamente de quem quer que seja que o postulante em questão teve um tatatatatatatatatatatatataravô, preto, que construiu uma galé na Europa, que foi buscar (mundim pequeno ora veja só) o seu tatatatatatatatatatatataravô (filho do primeiro) que ficou na África, porque o seu tatatatatatatatatatatatataravô, (pai deste), foi para a Europa a procura de melhores condições de vida e lá acabou como escravo. Simples assim.

O processo se arrastaria anos a fio (here is the law anyway – isto é para o pessoal d’além-mar) e ao final, quando não interessar o resultado a mais ninguém, o egresso (por motivo de força maior) ainda terá que pagar as custas, porque é claro; irá perder. Isto se vivo estiver. Cabe lembrar que aqui promessa, seja lá de quem for é retórica.

Sim imagino como você leitor se sente, ao ler o besteirol acima, presumo que de saco cheio. Foi assim que fiquei quando soube da decisão do meu, do seu, dos nossos ministros, DE SACO CHEIO.

O problema senhores do STF, não é garantir a vaga aqueles a quem os excelentíssimos agora discriminaram constitucionalmente (este é o meu entendimento). Garantir vaga a quem é diferente apenas pela cor da pele é discriminar sim, é segregar.

Os senhores deixam claro que PRETOS, NEGROS, PARDOS são diferentes, e no que exatamente eu não posso imaginar, mas definitivamente é esse o vosso entendimento.

O que os senhores não querem admitir é que a educação neste país é proibitiva, pois tem custo elevado numa universidade, isto por si só equaliza qualquer candidato sem recurso; preto, pardo, branco, amarelo, o que for. Ser pobre é que é a MERDA.

Quando os senhores ministros garantem por força de lei que vinte por cento de vagas deverá ser garantida a cor da pessoa, deixam claro que vinte por cento é menos capacitado mentalmente apenas por ser de cor. O restante, segundo esta interpretação, é, portanto outra casta.

O que me envergonha são os altos salários pagos pelo erário, a um bando de onipotentes que muito provavelmente se excitam vendo pornografia na internet, ou coçam o saco em seus belíssimos escritórios, ao invés de trabalhar e que eventualmente quando “trabalham”, nos dão estas pérolas dignas de qualquer republiqueta.

O que me envergonha é o povo aceitar isto passivo, deixando claro que também se lixa se agora estamos constitucionalmente segregados. O irônico nisto tudo, é que até aqui os pretos, negros, pardos perdem, se o real interesse fosse balancear isto, através desta imbecilidade, cinquenta por cento seria o justo. Até no erro eles passam a perna em quem tem cor diferente. É mole?

E você aí, acha justo isto? Manifeste-se, use o espaço que é seu também, isto enquanto não me subtraírem.

( ¹ ) Nota do autor (me): merda opinião própria, understand neguinha?

( ² ) Nota do autor (me again): ah vai, procura no dicionário, é bem interessante. Tó o link aqui.

( ³ ) Nota do autor (me again, novamente): o “quem” pode ser o reitor, os recursos humanos, o atendente, o monitor, o tio do cafezinho, alguém, qualquer um, com profundos conhecimentos em analise de biótipo.

E se o Ecade não aparece… vai que é punk e do meu tempo.

Vantagens e desvantagens de se trabalhar por conta

14/03 – 11:52 h. Vantagens e desvantagens de se trabalhar por conta.

Quando se pensa em trabalhar, a primeira coisa que nos vem à cabeça é o que fazer para se estar num lugar que nos de prazer e, de quebra, um salário razoável. Difícil. Geralmente o que nos é ofertado(?) não consegue coadunar prazer e salário. Isto nos remete a um dilema:  ou o prazer ou o salário. E creiam, nem isto é fácil. Já algum tempo tenho sobrevivido trabalhando por conta. Tempos horríveis enfrentei. As calmarias nestes mares são escassas. Isto torna a vida bem problemática. Não fosse pelos dependentes, certamente o prazer seria o meu norte. Isto, porém, é um luxo que há muito abdiquei. Existem dois estágios distintos quando se trabalha desta maneira: tudo vai bem quando o serviço aparece e você pode preocupar-se apenas em fazer aquilo pelo qual lhe contrataram. Isto é ser profissional.  Mas quando a questão envolve valores (o chamado menor custo), o problema começa aí. Os critérios de escolha, da parte de quem contrata, beiram ao bizarro. Ou seja, existe o serviço, precisam de quem o execute mas, e sempre tem um mas, o preço a ser pago é aviltante. Por mais depreciativo que seja o valor pago e você pense que ninguém trabalhará pela miséria que lhe ofertam, eis que surge uma alma débil, estúpida, e cá entre nós, se pudéssemos o estrangularíamos, nosso “querido” concorrente. Ok, você é daqueles que acredita que há um lugar ao sol para todos. Mas puxa, tinha que ser justo no meu espaço? Ninguém trabalha apenas porque gosta. É necessário, e até aí, não há alguma novidade. O saldo é que é negativo. Já abri mão de prestar serviços a uma grande multinacional de telecomunicações, apenas porque o “target” estabelecido me informava, nas entrelinhas, que eu teria que pagar pela oportunidade impar que me ofereciam em trabalhar para sua marca. E declinei por dois anos seguidos. Imagino que depois que demonstrei minha indignação – por meio de ofício –, fui descartado nas concorrências seguintes. A única coisa que me “orgulha” nisto tudo, é que hoje, ao passar em um dos locais em que prestam o serviço que declinei, posso dizer sem nenhum pudor: "Eu não cuido esta merda". Eis aqui a vantagem de se trabalhar por conta. Isto não tem preço.